parto humanizado



Chego ao teu encontro
e o branco deste traje meu cintila,
na hílare emoção da anil pupila

Chego ao teu encontro
e acarinho a redoma sacrossanta,
que me traduz de tua mãe em mulher-santa

Chego ao teu encontro
e me curvo e me rendo ao doce alento
do divinal e tão soberbo evento

Chego ao teu encontro
e te ofereço as mãos, engalanadas,
nas quais deslizas nu, prás mil ciladas

Chegas, enfim, ao meu encontro
e, ao mesmo tempo, em que te cuido e te amo
e me conheces cá, em mim eu te aclamo,
pois desafias
do mundo, as vias:
NASCER!
SER!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 30 de junho de 2009 – 19:48hs.

fim da vida

Que veredas são essas,
onde as árvores se cortam num abalo brusco,
onde a chuva se nega a matar minha sede
e o sol desistiu de enxugar meu pranto?

Que veredas são essas,
onde o ar esfria e esquenta e gela e morre,
onde meu rosto se desfaz em estrume
e a crueldade se apossa de mim contra mim?

Que veredas são essas,
onde a Terra se vai e se esvai em tristeza,
onde a flora despida se aninha de medo
nos braços da fauna estribada no horror?

Que veredas são essas?
Há caminhos de fim nessas eras e matas!
Que desastres são esses?
Há maldade sem grito e agonia no ar!

Se me nego eu e te negas tu a obrar,
o extermínio vem e nos cala, em silêncio...


Sílvia Mota.
Dedico este poema às dores caladas do meio ambiente...
Cabo Frio, 7 de junho de 2009 – 23:29hs.

rosa ou azul?

o primeiro botão do meu jardim
nem chorou, nem sorriu, nem viveu
e se foi...


Poetrix.
Sílvia Mota.
Cabo Frio, 13 de março de 2009 - 11:05hs .